Desde o início da guerra na Ucrânia o agronegócio brasileiro busca alternativas para driblar a crise de insumos. O país importa 85% de todo o fertilizante que utiliza. Apenas a Rússia é responsável por 20% dessas importações. Diante deste cenário, muitos produtores já estão apostando no sistema agroflorestal como alternativa às importações.

O sistema agroflorestal é uma técnica sustentável de plantio de alimentos, que faz a recuperação vegetal e do solo. As vantagens, segundo a Embrapa, são inúmeras ao agronegócio. A variedade de espécies permite um número maior de produtos ou serviços a partir de uma mesma unidade de área. A utilização permanente do solo, minimiza a necessidade de revolvimento em novas áreas. E ainda existe a possibilidade de aproveitamento de áreas já alteradas ou degradadas.

Em entrevista ao site Agrolink, o engenheiro florestal, Valter Ziantoni, disse que a alternativa ainda diminui a demanda por fertilizantes, por conta da eficiente ciclagem e adubação orgânica, que melhora das propriedades físicas e biológicas do solo, permitindo a preservação da biodiversidade.

De acordo com Paula Costa, engenheira florestal, geralmente não é necessário utilizar insumos químicos em grandes quantidades na agrofloresta, apenas durante a transição em alguns casos, pois o próprio sistema de plantio é planejado para que seja sustentável e consiga fornecer a maioria dos nutrientes que as plantas precisam.

“É nesse momento que faz sentido às pequenas propriedades. Ao contrário dos grandes produtores que conseguem fortalecer estoques acompanhando as movimentações do mercado internacional, produções menores não têm aporte imediato para isso. Com uma gestão pensada em agrofloresta é possível se organizar com previsibilidade junto ao meio ambiente, fazendo um gerenciamento responsável da propriedade, associando técnica, tecnologia e a força natural do campo”, disse Paula.

Além da necessidade por encontrar alternativas à dependência externa de insumos, a produção agroflorestal também colabora com outro assunto em pauta no agro: a agricultura regenerativa e sustentável. Ziantoni afirmou que essa prática ainda colabora com a recuperação da fertilidade dos solos, a redução de erosão, o aumento da infiltração de água, e consequentemente, a conservação de rios e nascentes. O aumento da diversidade de espécies, ainda colabora com o controle natural de pragas e doenças.

(Com informações de Agrolink)