Apesar de inovadora, a biotecnologia não é novidade no mundo. O homem já utiliza esse recurso desde 1800 a.C, aproximadamente, quando começamos a fazer produtos fermentados como pães, cervejas, vinhos ou queijos. Atualmente a ferramenta evoluiu,, tornando possível a manipulação do material genético de plantas, proporcionando um grande avanço para a agricultura.

Além de tornar o agro mais forte, a biotecnologia ajuda ainda a deixá-lo mais sustentável, pois permite a expansão da produção sem um aumento proporcional do uso de recursos. Foi isso que representantes brasileiros e chineses concordaram no 1º Fórum Brasil-China de Biotecnologia, Agricultura e Sustentabilidade.

Presente no evento, o presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Celso Moretti, sugeriu que haja um aumento no número de pesquisadores brasileiros na China. Ele ainda observou que a biotecnologia permite a redução de agroquímicos, de áreas plantadas e também de maquinário. Moretti destacou ainda que ela fomenta o plantio direto, proporcionando redução de emissões de carbono.

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, sugeriu a intensificação da cooperação bilateral no desenvolvimento e industrialização de sementes, o que exigiria pesquisa conjunta, transferência de tecnologia e capacitação de recursos humanos.

Para o encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Pequim, Celso de Tarso Pereira, existe a necessidade de o Brasil estar atento aos padrões internacionais relacionados a questões ambientais. Ele também pontuou que a biotecnologia pode contribuir no processo de redução das emissões de gases do setor agropecuário. Exemplo disso é um suplemento alimentar aprovado recentemente no Brasil que reduz as emissões de metano de rebanhos de gado – uma das principais fontes de emissão de gases efeito estufa do Brasil.

O uso dos produtos com base biológica para o controle de pragas e doenças foi defendido pelo secretário adjunto de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Ministério da Agricultura, Cléber Soares. “O Brasil detém em torno de 20% da diversidade do planeta e quando nós olhamos isso em termos de oportunidade, é inimaginável a capacidade para formação de recursos genéticos dentro de uma lógica de conservar para inovar. É possível agregarmos mais valor de forma sustentável”, disse.

Também presente no evento, o professor da Universidade Federal de Viçosa, Aluízio Borém mencionou a cooperação no setor acadêmico e disse que a instituição que integra discute o assunto com a Universidade de Nanjing, na China. “A legislação brasileira está atenta às inovações no campo da biotecnologia, facilitando que grandes e pequenas empresas, bem como instituições de pesquisa, possam desenvolver novas soluções com segurança e previsibilidade. Nossa lei é moderna, porém rígida”, afirmou.

“Os membros da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) analisam todos os aspectos, há embate de ideias e clareza nas decisões que liberam os novos eventos de modificação ou edição genética. Temos mais de 100 variedades aprovadas de OGM, e outros produtos estão em avaliação, sempre visando benefícios econômicos e para o meio ambiente”, acrescentou.

(Com informações Agrolink)