A Embrapa e a Fundação Meridional anunciaram recentemente o lançamento das primeiras cultivares de soja com a tecnologia Xtend®. As novidades serão lançadas durante o Dia de Campo On-line, que acontece no dia 25 de março, a partir das 8h30, pelo canal da Embrapa Soja no Youtube.

A BRS 2553XTD e BRS 2558XTD são opções de refúgio para a tecnologia Intacta 2Xtend®. Essa tecnologia agrega três proteínas (piramidação das proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 e Cry1Ac) que atuam para garantir proteção às principais lagartas da cultura da soja. Além disso, as cultivares também possuem tolerância aos herbicidas dicamba e glifosato, flexibilizando o manejo de plantas daninhas.

BRS 2553XTD

A BRS 2553XTD é uma cultivar que poderá ser usada nas áreas de refúgio para cultivares com a tecnologia I2X. Possui alta performance produtiva, associada à precocidade (grupo de maturidade 5.3). “É a cultivar mais precoce do portfólio da Embrapa e como associa precocidade com boa ramificação, é capaz de produzir mais vagens garantindo excelente produtividade. A arquitetura das plantas também é um ponto alto porque favorece a aplicação e penetração de produtos químicos”, diz o pesquisador Carlos Lásaro Pereira de Melo.

Ela é indicada para Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina (REC 102), especialmente as regiões com altitude superior a 700 metros. “Nestas regiões seu potencial produtivo é incrementado, podendo a ser superior aos 5 mil quilos por hectare, o que supera os diferentes padrões com que foi comparada no mercado”, ressalta.

Outra característica relevante é a resistência à podridão radicular de Phytophthora, doença causada por fungo do solo que vem trazendo elevados prejuízos econômicos para as lavouras infectadas. É também ao cancro da haste, mancha olho de rã e mosaico comum da soja, moderadamente resistente ao oídio e tolerante ao vírus da necrose da haste.

BRS 2558XTD

Outro lançamento é a BRS 2558XTD, uma cultivar que poderá ser usada nas áreas de refúgio para cultivares com a tecnologia I2X. A cultivar precoce (grupo de maturidade 5.8), indicada para Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo (REC 103). Devido ao ciclo da cultivar, este lançamento é indicado para aqueles que querem fazer antecipação da semeadura, porque pode ser semeada a partir de setembro, logo após o vazio sanitário. “É uma ótima opção de cultivar precoce, por estar adaptada à antecipação de semeadura, permitindo encaixe em sistemas de sucessão/rotação de culturas, como feijão ou milho safrinha”, destaca o pesquisador Carlos Lásaro Pereira de Melo.

Outro ponto alto da cultivar é o excelente potencial produtivo, associado à boa ramificação das plantas, superando os padrões de rendimento com as cultivares mais produtivas do mercado. “Nos testes de avaliação, a BRS 2558XTD apresentou potencial acima de 5 mil quilos por hectare, o que é bastante relevante quando comparado com outras cultivares”, ressalta o pesquisador.

A cultivar destaca-se pela boa sanidade, especialmente a resistência à podridão radicular de Phytophthora. “Essa característica agrega maior estabilidade caso a doença a se manifeste, porque as plantas não são afetadas, ao contrário das cultivares suscetíveis”, afirma Melo. É resistente ainda ao cancro da haste, mosaico comum da soja e moderadamente resistente ao e mancha olho de rã.

A BRS 2558XTD tem teor médio de proteína em torno de 40%, enquanto a média nacional é de 36%, portanto, traz ganho bem expressivo para a agroindústria produtora de ração animal.

Valorizando inovações e tecnologia -Ao longo de nossos 22 anos de parceria com a Embrapa, a Fundação Meridional desenvolveu um grande portfólio de cultivares nas diferentes plataformas do melhoramento genético de soja. “Estamos realmente com uma grande expectativa para estas novas tecnologias”, ressalta Ralf Udo Dengler, gerente executivo da Fundação Meridional. “As cultivares com tecnologia Xtend®, BRS 2553XTD e BRS 2558XTD, já estão com campos inscritos na safra 21/22 e deveremos ampliar a oferta para a próxima safra, quando também deveremos lançar outras cultivares XTD, bem como as primeiras cultivares com tecnologia Intacta 2 Xtend®”, destaca Dengler.

Proteção Ampliada contra Lagartas – A soja Intacta 2 Xtend® proporciona proteção contra seis espécies de lagartas que incidem na cultura da soja, Helicoverpa armigera e Spodoptera cosmioides, somada às quatro que já eram alvo da tecnologia Intacta RR2 PRO®, lagarta falsa medideira (Chrysodeixis includens), lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis), lagarta das maças (Chloridea virescens), broca das axilas (Crocidosema aporema). “A piramidação de duas proteínas, aliadas à Cry1Ac, nesta tecnologia, reduz a probabilidade de quebra da resistência do Bt da primeira geração (Cry1Ac)”, explica o pesquisador Daniel Sosa Gomez, da Embrapa Soja.

A Embrapa defende que o manejo de pragas nas lavouras com a tecnologia Intacta 2 Xtend® siga as mesmas premissas do Manejo Integrado de Pragas (MIP), como monitoramento e controle no momento em que as pragas alcançam o nível de ação, dando prioridade aos inseticidas seletivos. “Um aspecto fundamental para evitar a seleção de populações de lagartas resistentes nas lavouras com esta tecnologia é o plantio de áreas de refúgio estruturado”, explica Sosa Gomez.

A recomendação atual de refúgio para a cultura da soja é que no mínimo 20% da área seja com tecnologia diferente da Intacta 2Xtend®. Segundo o pesquisador, esta é uma medida preventiva que consiste no plantio de lavouras com a tecnologia Intacta 2Xtend®, a uma distância máxima de 800 metros de lavouras com a tecnologia Xtend® ou outras opções de soja não-Bt (RR ou convencional exigem maior cuidado na aplicação do dicamba). “Essa distância possibilita o acasalamento aleatório de mariposas oriundas das áreas com a tecnologia Intacta 2 Xtend® e das áreas de refúgio, favorecendo a manutenção de populações suscetíveis e retardando a seleção de populações resistentes”, diz.

Manejo de Plantas Daninhas e aplicação do herbicida dicamba – As cultivares de soja com tecnologia Intacta 2 Xtend® e tecnologia Xtend® são tolerantes ao herbicida dicamba, cuja molécula apresenta eficiência no manejo de plantas daninhas de folhas largas, como a buva, o caruru, a corda-de-viola, o picão-preto, dentre outras, destaca o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja.

Na avaliação do pesquisador, o agricultor deve estar atento quanto ao aparecimento ou disseminação de plantas daninhas resistentes. Além disso, lembra que a integração entre práticas de manejo envolve não só o controle químico, mas também a rotação dos mecanismos de ação dos herbicidas, a rotação de culturas – pelo menos na entressafra da soja – o uso de espécies para produzir uma boa palhada, a limpeza de máquinas e implementos agrícolas, o uso sementes livres de infestantes resistentes e o acompanhamento na mudanças da flora para evitar a reprodução dessas espécies. “A associação do dicamba ao glifosato é mais uma alternativa disponível no mercado para a solução de problemas com as plantas infestantes, porém é preciso usar corretamente os produtos”, ressalta. “O dicamba é um herbicida recomendado para aplicação no pré-plantio da soja. É fundamental que sejam seguidas as informações contidas na bula, pois o uso em desacordo com as orientações técnicas pode ocasionar injúrias em culturas não-alvo da aplicação do herbicida”, conclui Gazziero. Mais informações sobre as cultivares e essa nova tecnologia podem ser obtidas aqui www.embrapa.br/soja/cultivares

Para participar do lançamento faça inscrição na página do evento: www.embrapa.br/soja/dconline