A implementação da internet 5g no Brasil representa muito mais do que apenas velocidade para baixar vídeos ou melhorias na comunicação. Trata-se de oportunidades para diversos setores, impulsionando negócios e gerando renda e empregos, inclusive para o agronegócio. De acordo com uma projeção feita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e desenvolvido pela Esalq/USP, com a ampliação de apenas 25% na conexão do campo, já será possível um aumento de 6,3% no Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária brasileira.

O estudo ainda mostra que caso a implementação de tecnologias 2G, 3G, 4G ou 5G chegar a 90% das áreas, isso poderia impulsionar o VBP do agronegócio em R$ 101,47 bilhões. “O uso da tecnologia é essencial no campo hoje. E a agropecuária paulista certamente estará na vanguarda tecnológica do 5G. Isso vai gerar mais produtividade, competitividade, empregos e investimentos nos próximos anos”, comentou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), Fábio de Salles Meirelles.

Dados do Atlas do Espaço Rural Brasileiro, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que das 5,07 milhões de propriedades existentes hoje, cerca de 3,64 milhões de estabelecimentos rurais ainda operam sem internet. Isso significa que 70% das propriedades rurais são desconectadas.

“O nosso grande desafio é aumentar a conectividade, sobretudo das propriedades de menor porte, já que os grandes produtores estão mais avançados. A FAESP está ao lado dos produtores para caminharmos cada vez mais na tecnologia no campo”, disse Meirelles. A chegada dessa tecnologia representa um avanço no acompanhamento das colheitas, permitindo, inclusive, a presença de máquinas remotas.

A internet 5G ainda permite que o trabalho seja realizado sem a interferência humana. A partir de uma rede de sensores conectados ao solo, a plantas e a animais, os dados são coletados, fornecendo um retrato real das condições da propriedade e, com isso, otimizando os resultados.

Dentro da propriedade

Entre as infinitas vantagens que a tecnologia 5G possibilita, está o aumento da produtividade no campo, graças à consolidação da agricultura 4.0. Com ela, é possível identificar e monitorar pragas e deficiências nutricionais em tempo real, com a transferência de informação ocorrendo do campo direto para o escritório. Graças a essa inovação, o produtor rural pode tomar as melhores decisões e de maneira muito mais rápida.

Na pecuária, por exemplo, já é possível adotar a rastreabilidade de animais desde o nascimento até o abate, garantindo que não sejam produzidos em áreas embargadas ou desmatadas irregularmente. “A pecuária brasileira, principalmente a paulista, está adotando práticas cada vez mais sustentáveis. Com o 5G, a tendência é de melhoramos cada vez mais neste quesito”, ressaltou Meirelles.

A segurança das fazendas também pode ser aprimorada com a adoção do 5G. A tecnologia vai permitir a implementação de sistemas de detecção e equipamentos de vigilância alimentados por Inteligência Artificial que podem identificar incidentes e desencadear ações corretivas. Além disso, permite a instalação de sistemas de segurança de várias camadas, incluindo sensores em portões, cercas e de detecção de movimento. Tudo isso pode ser acompanhado em tempo real a partir de qualquer dispositivo conectado à internet.

“É fundamental que os produtores rurais tenham segurança, inclusive porque muito moram com suas famílias nas propriedades. A tecnologia vai ajudar a tornar a atividade cada vez mais segura para quem trabalha e produz”, lembrou.

Eficiência e rastreabilidade no transporte

Além das vantagens porteira a dentro, é possível também ter um acompanhamento detalhado dos produtos e cargas durante o transporte. “A tecnologia não veio para tirar o emprego de ninguém, muito pelo contrário. Estão surgindo novos empregos na área de tecnologia aplicada ao campo. Certamente, isto será ótimo para gerar postos de trabalho de qualidade”, destacou Meirelles.

O treinamento de pessoas em ambiente digital e a manutenção de máquinas em nível de campo de forma remota e verificação de softwares também ganham espaço.

Até 2023 a tecnologia pode gerar US$ 76,8 bilhões, segundo um relatório elaborado pela Nokia e a consultoria Omdia. “A tecnologia vai agregar cada vez mais valor ao agronegócio, que já é o setor que mais cresce na economia brasileira. E a tendência, com o 5G, é de um crescimento ainda maior. Já temos um setor altamente competitivo e será um passo ainda maior para assumirmos de vez uma posição de liderança mundial”, finalizou o presidente.com informações da FAESP.

(Com informações Agrolink)