Nunca foi produzido tanto conteúdo digital. Esse crescimento exponencial de dados pode nos levar, em breve, ao esgotamento de espaço de armazenamento. Mas os cientistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Geórgia (GTRI, na sigla em inglês) podem ter encontrado a solução ideal com o armazenamento de dados em DNA.

Quem nunca utilizou um disquete para salvar um trabalho de escola? Os primeiros modelos, disponíveis a partir de 1971, tinham uma capacidade de armazenamento de 80 kB. Para efeito de comparação, hoje apenas uma foto tirada pelo celular ultrapassa esse tamanho.

A tecnologia já avançou muito, mas apesar disso os dispositivos que usamos atualmente para armazenar dados de computador ainda ocupam bastante espaço e podem se deteriorar com o passar do tempo.

Com a armazenagem em DNA seria possível arquivar um grande número de informações em moléculas minúsculas. Segundo os cientistas, por conta do material vivo, os dados durariam milhares de anos. Imagine só poder salvar todos os filmes já produzidos no mundo em um espaço menor que um cubo de gelo. Isso será possível!

“A quantidade de funções do nosso novo chip já é [cerca de] 100 vezes maior que os dispositivos comerciais atuais”, informou o Nicholas Guise em uma entrevista concedida à BBC News. Segundo ele, a expectativa é aprimorar a tecnologia de armazenamento de dados em DNA em 100 vezes e adicionar controles eletrônicos.

Como funciona o microchip?

De acordo com a reportagem da BBC News, os cientistas cultivam fitas de DNA exclusivas, um bloco por vez. Os blocos são as bases da molécula de DNA: adenina, citosina, guanina e timina. Essas bases são utilizadas para codificar as informações de uma maneira bem semelhante ao código binário (sequência de 1 e 0).

Especialistas da área acreditam que por conta da confiabilidade, o DNA pode se tornar o próximo meio de arquivo de dados que precisam ser guardados por tempo indeterminado.

Os desenvolvedores da tecnologia firmaram parcerias com duas companhias de biotecnologia para elaborar uma demonstração comercialmente viável dessa tecnologia. Isso porque o protótipo do microchip, que possui cerca de de 2,5 cm, possui um alto custo e seu uso possivelmente será restrito a clientes selecionados.

Atualmente, as fitas magnéticas de armazenagem de dados precisam ser substituídas a cada cerca de 10 anos. Mas essa nova tecnologia, se mantida sob temperatura suficientemente baixa, permite que os dados fiquem intactos por milhares de anos. “Muito dinheiro é gasto para escrever o DNA no princípio e para ler o DNA, na outra ponta. Se pudermos tornar o custo dessa tecnologia competitivo com o custo de registrar os dados magneticamente, o custo de armazenamento e manutenção das informações em DNA ao longo de tantos anos deverá ser inferior”, afirmou o cientista à BBC News.

Esse projeto é apoiado pela organização governamental norte-americana Intelligence Advanced Research Projects Activity (IARPA). Ela é conhecida por incentivar a ciência dirigida à solução de desafios relevantes para a comunidade norte-americana de inteligência.

(Com informações da BBC News)