Uma equipe de pesquisadores das universidades de Utrecht, Wageningen e Ghent, na Holanda, criou um modelo computacional que detalha com precisão e ultrarrealismo o modo com as raízes das plantas crescem. O objetivo com isso é gerar economia com insumos e ganhos em produtividade. O estudo foi publicado na edição de agosto da revista científica Developmental Cell.

Segundo os estudiosos, o padrão de aproveitamento de fertilizantes, irrigação e pesticidas pelas plantas é ineficiente e pode desperdiçar até 95% de água, nutrientes e defensivos. Já que as aplicações não têm muita precisão quando o objetivo é entrar no raio de absorção das raízes.

Se o produtor tiver em mãos previsões mais realistas sobre o crescimento dos sistemas radiculares em situações específicas, como determinado talhão de sua lavoura, por exemplo, o aproveitamento dos insumos e o desempenho das lavouras podem crescer exponencialmente.

Padrão

As raízes das plantas crescem seguindo um padrão. Primeiro cresce uma raiz principal e depois surgem raízes laterais que emergem em determinados intervalos. Devido às diferentes quantidades de nutrientes e água no solo, muitas variações nos sistemas de raízes eventualmente se desenvolvem.

Este novo software permite que seja realizado um mapeamento que prevê o crescimento das raízes. O modelo foi testado experimentalmente com apoio das três universidades e demonstrou que suas previsões iniciais estavam corretas. Ou seja, podia indicar exatamente como as raízes cresceriam.

Realismo

Já existiam, antes dessa pesquisa, modelos de computador e hipóteses usadas para explicar onde, ao longo da raiz principal, as raízes laterais de uma planta eventualmente se desenvolvem. “Todos esses modelos ficam aquém. Nenhum deles se alinha totalmente com os resultados de experimentos com plantas reais”, diz Kirsten ten Tusscher, que liderou a pesquisa sobre o novo modelo.

Graças a essa tecnologia, é possível prever com clareza onde raízes laterais se desenvolvem a partir da raiz principal, sob a influência do hormônio vegetal auxina. Quando a raiz principal de uma planta cresce, a quantidade de auxina na ponta da raiz muda regularmente.

Em um estágio posterior, quando as condições são favoráveis, essas células crescem em uma raiz lateral. As células que experimentaram concentrações mais baixas de hormônio não desenvolvem essa capacidade.

“Em nosso modelo, construímos a aparência da raiz e como o hormônio auxina é transportado, com o máximo de detalhes possível. O modelo também contém os detalhes do processo de crescimento, onde estão localizadas as células-tronco, bem como as células que se dividem rapidamente, as que param de se dividir e as que se expandem”, detalhou.

Benefício às lavouras

De acordo com os pesquisadores, ter essa melhor compreensão do crescimento das raízes pode ajudar a desenvolver uma forma mais focada de cultivo, com sistemas de raízes mais adequados às circunstâncias ou desejos do produtor. Assim, pode até ser possível, no futuro, cultivar safras que necessitam de menos fertilizantes, pesticidas ou irrigação, por exemplo.

(Com informações de Ag Evolution)