Alternativa para os combustíveis de origem fóssil, os biocombustíveis são produzidos a partir de matéria orgânica (biomassa). Por este motivo, esta é uma alternativa sustentável que vem sendo cada vez mais demandada no mundo. Um relatório publicado pela Gas Climate, grupo que reúne dez empresas líderes no transporte de gás e duas associações da indústria de gás renovável, mostra que o biometano, combustível sustentável produzido a partir do biogás, está sendo cada mais adotado pelas empresas europeias. 

No Brasil, a Biogasmap  – ferramenta online, interativa e pública que identifica plantas de biogás no Brasil – também acusou o aumento da demanda e produção dos biodigestores. Em 2020, por exemplo, houve um aumento de 22% no número de plantas de produção. Isso totalizou totalizando 675 no País e uma produção de 2.2 bilhões de m³ de biogás.  Desse total, 638 encontram-se em operação para fins energéticos no Brasil e 78% são de pequeno porte – produzem até 1 mi m³ por ano. 

Os sistemas de biodigestão para produção do biogás tem como matéria prima principal os resíduos da agropecuária (caso de 79% das plantas, que produzem 11% do volume total do país), indústria, aterro sanitário e ETCs – Estações de Tratamento de Esgoto.  

As plantas que processam resíduos sólidos urbanos ou efluentes de estações de tratamento de esgoto representam 9% das que operam e são responsáveis por 73% do biogás. A exemplo de 2019, em 2020 a aplicação mais representativa dessas plantas foi a geração de energia elétrica. O volume de biogás purificado para produção de biometano no país avançou sua participação de 3% em 2019 para 19% em 2020.   

Como funciona o processo de produção? 

Para a produção do biogás, a maneira mais comum é agravés do método de digestão anaeróbica. Ou seja, utiliza-se a atuação de bactérias em uma câmara fechada (biodigestor), sem ar, alimentada com resíduos orgânicos (como esterco, restos de alimentos, vinhaça, cama de frango, entre outros), misturadas com água. O resultado disso é a transformação dos detritos em biogás, que podem ser convertidos em energia elétrica. A purificação do biogás, por processos que incluem a separação por membrana, por sua vez, produz o biometano.   

Ambos os produtos são usados como combustível. O biometano, inclusive, tem sido considerado uma tendência, já que 17% do transporte rodoviário na União Europeia utiliza o biocombustível. No Brasil, especialistas consideram que o biometano tem potencial de substituir até 70% da demanda por diesel, com grandes ganhos para o meio ambiente.  

Ao tratar águas residuais mais difíceis, com uma alta carga de nutrientes, o resultado é um efluente mais limpo, que resolve problemas de descarte, reduzindo as contas das concessionárias de tratamento de águas residuais e até mesmo permitindo o descarte ambiental. O biossólido digerido orgânico que permanece após o processo é importante para a correção do solo na agricultura e o nitrogênio pode ser recuperado durante a digestão anaeróbica para fazer fertilizante concentrado.  

A digestão anaeróbia envolve processos metabólicos complexos que ocorrem em quatro etapas sequenciais – hidrólise, acidogênese, acetogênese e metanogênese – e dependem da atividade dos grupos fisiológicos de microrganismos. Para dar suporte à expansão das plantas e à capacidade de aumento da produção do biogás, já existem, inclusive no Brasil, produtos biotecnológicos que podem ser aplicados em quatro dos tipos mais frequentes de biodigestores – BLC, UASB, CSTR e o chamado Fase Sólida.  

 Esses produtos agem na fase de hidrólise, aumentando a capacidade de degradação dos materiais orgânicos, melhorando a eficiência e segurança operacional de todo o sistema. É a revolução ambiental ganhando novos atores, tornando-se mais versátil e confirmando que as bandeiras de ESG e dos avanços de tecnologias verdes é uma maré, felizmente, incontrolável.   

(Com informações de AgroLink)