Ter a oportunidade de aproximar uma startup do agronegócio não acontece todo dia. Para fomentar avanços tecnológicos no setor, cooperativas agroindustriais apostam cada vez mais em programas de inovação. O Digital Agro Connection é um deles.

Para conferir todos os detalhes sobre o Digital Agro Connection e como a Frísia trabalha a inovação, a RPC, afiliada da Rede Globo, entrevistou Fábio Solano, analista de estratégia e inovação da cooperativa. Confira!

O que move a realização de um programa como o Digital Agro Connection?

Na Frísia Cooperativa Agroindustrial sempre existiu o interesse de melhorar continuamente a produção e a qualidade de nossos produtos e serviços. Dessa forma, estamos trabalhando para criar soluções mais produtivas para nossos associados, clientes e times internos.

Uma cooperativa como a Frísia, que tem como propósito um crescimento sustentável, deve se atentar às novidades tecnológicas presentes no mercado. Para fins de estreitar o relacionamento com empresas inovadoras, criamos o Digital Agro Connection, que visa abrir as portas para startups que sonham em melhorar a produção e qualidade dos alimentos e os processos dentro da cadeia do agronegócio.

Diante do cenário econômico nacional, qual a relevância do evento?

É muito importante que as cooperativas e demais organizações se conectem constantemente com empresas tecnológicas e fundações de pesquisa para aumentar sua competitividade e se preparar para as mudanças. A Digital Agro tem esse intuito, aproximar da cooperativa e de seus produtores essas novidades do agronegócio. A melhor maneira de garantir que essas mudanças aconteçam é com sinergia inovadora entre aqueles que estão desenvolvendo as tecnologias e as pessoas que irão aplicá-las.

Atualmente, estamos passando por uma complexa situação de mercado – devido a uma pandemia generalizada. Ela tem impactado significativamente o mercado e as formas como nos relacionamos e transacionamos. Isso só reforça a necessidade de uma transformação digital e de nos adaptarmos usando a tecnologia a nosso favor.

Como a Frísia incentiva a inovação no agronegócio, além da realização do programa Digital Agro Connection?

Trabalhamos em várias frentes, com diferentes objetivos. Fomentamos a inovação através produção de conteúdo para colaboradores e cooperados ficarem atualizados sobre o que há de novo em relação a novas tecnologias no agronegócio.

Além dessa iniciativa, contamos com plataformas ativas que captam e organizam ideias de melhorias incrementais e disruptivas dentro da cooperativa e nas propriedades, visando mapear o que podemos melhorar e como podemos agir para que os resultados evoluam ao longo do tempo. Capacitações e palestras – sejam presenciais ou online – estão sendo constantemente programadas.

Assim, a cultura de inovação será implantada nas fazendas, na cooperativa e nas nossas indústrias. Para isso, é necessário que toda a cadeia de produção, juntamente com a comunidade em que estamos situados, estejam conectadas.

Como a Frísia vê as startups hoje? A cooperativa já conta com a parceria dessas empresas?

A cooperativa tem aberto as portas para que as startups se relacionem com nossas equipes internas e com os produtores.  Além disso, possui startups próprias em fase de desenvolvimento. A Frísia acredita no potencial dessas empresas e busca, por meio delas, a oportunidade de entregar uma produção mais eficiente e sustentável.

Levando em consideração que a filosofia da Frísia é “Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos”, acreditamos que essa conexão poderá gerar uma melhoria extremamente significativa nos resultados, seja para as startups, para os produtores agropecuários e para a comunidade em que estamos inseridos.

Quais os principais desafios das cooperativas para revolucionar o plantio, colheita e distribuição dos alimentos diante do cenário econômico atual?

Os desafios são diversos e incontáveis. Alguns exemplos são: aumentar a conectividade no campo, melhorar processos internos através de ferramentas digitais, desenvolver formas remotas de relacionamento com cooperados e comercialização de insumos agrícolas, melhorar a rastreabilidade e controle dos produtos e reduzir o uso de insumos agrícolas através de aplicações mais precisas.

E os benefícios que a agroindústria 4.0 e a agropecuária sustentável podem trazer para o agronegócio?

Este ano decidimos estrategicamente trabalhar em duas áreas: nas indústrias e nas fazendas. Nas fazendas podemos melhorar a qualidade em matéria de produção. Nas indústrias podemos melhorar a qualidade em matéria de beneficiamento.

Dessa forma, trabalhamos no início, meio e fim de toda a cadeia. Trabalhar isoladamente nessas fases de produção de alimentos pode gerar um resultado pequeno, mas trabalhar no todo pode gerar resultados surpreendentes.

Como acontece o processo de validação de soluções inovadoras dentro da Frísia? Isto é, qual o caminho que uma ideia percorre até se tornar uma solução a ser incorporada pela cadeia produtiva?

As startups interessadas em ajudar a cooperativa em desenvolver essa transformação devem primeiramente se inscrever em nosso programa até o dia 22 de junho. 

Após a inscrição, a startup será avaliada pelo Comitê de Inovação da Frísia. Ele utilizará critérios técnicos de pontuações, como alinhamento aos temas propostos, resultados financeiros e qualitativos, riscos, escalabilidade do projeto entre outros.

Se as startups forem selecionadas, participarão de workshops e mentorias técnicas, dos quais serão capacitadas para a integração de suas equipes às unidades da cooperativa.

Após esse período de mentorias, as startups passarão uma fase de imersão, das quais ficarão em contato direto com os processos e com as equipes envolvidas nos seus projetos. Então, poderão elaborar e executar seus projetos em período específico, recebendo mentorias e o custeio necessário.

Por fim, apresentarão seus resultados para a cooperativa e seus parceiros, podendo ter seus trabalhos divulgados em toda a mídia.

A cooperativa já trabalha com alguma das novas tecnologias da agroindústria 4.0 em sua cadeia produtiva?

Algumas indústrias da Frísia já trabalham com sensoriamento de dados, conectividade de máquinas e modelagem de banco de dados em sistemas integrados que geram informações para os gestores tomarem decisões mais assertivas, mas a cooperativa busca implantar ainda mais conectividade entre as indústrias e o campo.  

Quais os próximos objetivos da Frísia no que diz respeito à implementação de inovações na cooperativa?

O principal objetivo e desafio da Frísia é criar uma cultura de inovação que permeie  colaboradores, propriedades e agroindústrias. A partir do momento que estiver bem consolidada, a implantação e utilização de novas ferramentas tecnológicas será feita de forma mais natural, trazendo benefícios e valor inovador para todos. Essa sinergia criativa alimentará e nos antecipará às possíveis mudanças no agronegócio.

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FONTE: NEGÓCIOS RPC