Biochar: a “esponja de carbono” que garante mais dinheiro ao agricultor 

A startup francesa NetZero inaugurou recentemente, na cidade de Lajinha em Minas Gerais, a primeira fábrica comercial de biochar da América Latina. Estamos falando de um condicionador do solo que atua como uma “esponja de carbono” e que colabora com a retenção de água e nutrientes de terras agrícolas.

Produzido a partir de resíduos agrícolas, como a palha do café, o produto se assemelha ao pó de carvão. De acordo com a empresa francesa, ele e é obtido por meio da extração do carbono contido nos resíduos vegetais, utilizando o processo de pirólise (aquecimento à alta temperatura na ausência de oxigênio).

O biochar estabiliza o carbono inicialmente capturado pelas plantas de forma duradoura na atmosfera durante a fotossíntese. “Este carbono estável é colocado no solo para armazená-lo longe da atmosfera, e ao fazê-lo também melhora a fertilidade do solo. Ambos os benefícios foram reconhecidos extensivamente e são validados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO)”, garante a empresa responsável pela fabricação.

Graças ao seu uso, é possível reduzir, em média 33% a aplicação de adubos e, ao mesmo tempo, aumentar a produção do café em 14%. Falando sobre o impacto ambiental, isso garante uma diminuição de 40% nas emissões por quilo do grão.

Isso acontece porque o biochar age como uma esponja, retendo água e nutrientes, reduzindo, assim, de forma durável, a necessidade de fertilizantes e armazenando carbono no solo. Enquanto isso, a produtividade das culturas aumenta.

Na prática, a “esponja de carbono” aumenta a produtividade da lavoura, reduz o uso de fertilizantes químicos, melhora a retenção de água pelo solo, aumenta a aeração do solo, reduz a acidez do solo e reduz o uso de fertilizantes.

“A aplicação do biochar não requer nenhuma técnica diferente daquelas já utilizadas atualmente na agricultura. Para utilizá-lo, basta misturá-lo de forma homogênea ao solo em covas, sulcos ou faixas de plantio, na proporção indicada por um profissional de agronomia. Por ser feito unicamente à base da própria biomassa gerada na lavoura, o biochar não é um produto tóxico, não traz riscos ao meio ambiente e sua aplicação é segura para a saúde humana e animal”, afirma Pedro de Figueiredo, cofundador da NetZero e CEO da NetZero Brasil.

A nova fábrica da NetZero tem capacidade para produzir mais de 4.500 toneladas de biochar por ano, o que significa remover anualmente mais de 6.500 toneladas de CO2 equivalente da atmosfera – isso sem contar as emissões evitadas ligadas ao menor uso de fertilizantes químicos.

O projeto acontece em parceria com a Coocafé. A cooerativa, que possui mais de 10 mil cafeicultores vai fornecer milhares de toneladas de resíduos não utilizados provenientes do processo de envelhecimento do café para serem transformados em biochar.

(Com informações da assessoria de imprensa)

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