Como resolver a crise trabalhista que o agronegócio dos EUA enfrenta há décadas? Com essa pergunta em mente nasceu a Seso, uma startup que conecta agricultores que precisam de trabalhadores e trabalhadores imigrantes que estão desempregados.

Os cofundadores Michael Guirguis e Jordan Taylor desenvolveram uma tecnologia que fornece aos produtores rurais automação de vistos para trabalhadores imigrantes, conformidade regulatória do governo, um banco de dados de funcionários e ferramentas de gerenciamento para facilitar o processo de documentação administrativa repleto de complicações.

A startup ajudou 5.500 trabalhadores rurais com vistos H-2A em 2021. “Os agricultores querem plantar. Eles não são bons em papelada”, diz Guirguis. A empresa digitaliza processos de recrutamento e folha de pagamento agrícola. Até hoje a maioria deles é feito da forma “antiga”, com papel e caneta.

Fundada em 2019 nos EUA, a Seso conta com 35 funcionários e 77 clientes, incluindo algumas das maiores fazendas do país. A empresa anunciou na última quinta-feira (14) que levantou US$ 25 milhões (R$ 117,5 milhões), em uma rodada da Série A, liderada pela Index Ventures, com a participação da Founders Fund, NFX e K5 Ventures.

Atualmente eles atendem empresas de diversos ramos, como um agricultor de avestruz sul-africano, pastores de ovelhas em Utah e um apicultor em Dakota do Norte.

O sistema tradicional para contratar imigrantes é complicado e, até mesmo, exaustivo. Geralmente há erros no processo de solicitação de visto, resultando em atrasos na chegada de trabalhadores. “O programa exige que você trabalhe com quatro ou cinco agências governamentais diferentes. É tão complicado, nunca foi feito para dar certo. É um sistema quebrado”, disse Gurguis.

A Seso ainda ajuda no transporte dos trabalhadores vindos do México, para que cheguem com segurança. O resultado disso foi uma redução de 70% do trabalho que antes era realizado pelo departamento de RH. “A logística de ter que localizar os trabalhadores foi definitivamente um grande obstáculo que tivemos que superar todos os anos”, diz Alex Munoz, diretor de recursos humanos da B.T. Loftus. “Ter um recrutador que alcança os trabalhadores por meio de diferentes plataformas, definitivamente tornou nosso processo de contrato mais tranquilo”, revelou.

A startup cobra cerca de US$ 5.000 (R$ 23.500) dos produtores rurais, como taxa de software de conformidade e taxa de aplicação por seus serviços. Somente em 2021 a empresa faturou US$ 3 milhões (R$ 14,1 milhões) em vendas. “A Seso construiu tanta confiança na agricultura que sua a base de clientes espera que eles automatizem cada vez mais seu fluxo de trabalho, que é uma característica presente em algumas das melhores empresas verticais de software”, disse Nina Achadjian, sócia da Index Ventures.

(com informações da Forbes Agro)