A tecnologia tem sido grande aliada do agronegócio. Suas soluções inovadoras ajudam o trabalho no campo, com ferramentas precisas, que impactam positivamente a produção. Contudo, nas lavouras brasileiras de uva a realidade, muitas vezes, é diferente. As fazendas ainda utilizam técnicas trabalhosas, como o gabarito manual, que possui baixa precisão. Uma startup australiana, porém, promete acabar com esse problema com uma solução inovadora e simples para o produtor rural.

Para ter acesso à tecnologia da Bitwise Agronomy, o produtor precisa apenas ter acesso a uma câmera. Basta gravar um vídeo da lavoura e enviar as imagens para a empresa. Em menos de 24 horas chegam as informações de predição de produtividade, mapas de calor e registro fotográfico da produção total.

“Nosso modelo de negócios é a visão computacional as a service. Quanto maior for o nosso banco de dados, maior será a precisão dos cálculos, independentemente do tipo de cultura”, disse Levi Martins, Gerente de Operações da Bitwise.

A empresa já processo mais de 125 milhões de imagens de fazendas nos quatro continentes. Como toda a operação é feita remotamente por softwares, a escala e o potencial de atendimento são gigantescos. “Para nós, a localidade do cliente pouco importa. Não há diferença entre atender um agricultor no Chile ou do Reino Unido, pois tudo é feito de modo online”, comentou Martins.

Como é o processo?

A startup fornece um treinamento aos produtores rurais. Após as imagens gravadas, elas são enviadas em nuvem para a Bitwise, que processa as informações para a elaboração dos relatórios.

É usada uma tecnologia que se baseia em um programa próprio de análise de imagem, que faz a contagem dos estados fenológicos da cultura, entre gemas, brotos e cachos, por exemplo, no caso da uva. Para cada estado identificado, um diferente algoritmo, mais ou menos complexo, é atribuído e, para cada algoritmo, há uma pontuação que é usada como referência para o cálculo final da produtividade prevista para aquela safra.

Primeiros resultados no Brasil

Os primeiros dados coletados no Brasil, feitos em lavouras de uva de mesa, mostraram que com imagens de apenas duas fileiras, a precisão da ferramenta foi de 98%. Em algumas áreas analisadas, a calculadora da Bitwise estimou 409 quilos de uvas e o resultado final da área, após a colheita, foi de 415 quilos.

Segundo o responsável pela empresa, a meta agora é utilizar os vídeos para detectar outros dados, como a incidência de pragas ou doenças. “Ainda não conseguimos detectar pragas e doenças através das imagens, mas este é um dos próximos objetivos. Se alguma empresa voltada a este tipo de tecnologia tiver interesse em cooperar para isso, será mais do que bem vinda”, disse Martins.

(Com informações da Agtech Garage)