A agropecuária no Brasil sofre uma forte pressão em relação à emissão de dióxido de carbono (CO2), um dos principais causadores do efeito estufa no planeta. Mas, o que muita gente não sabe é que o setor investe forte em alternativas que tornam a atividade mais sustentável. Um exemplo delas é o Plano ABC – programa lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em 2010.

O objetivo principal do Plano ABC é, segundo o site do ministério, “a organização e o planejamento das ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, selecionadas com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de GEE no setor agropecuário assumidos pelo país”.

O programa ainda incentiva os produtores rurais a adotarem práticas sustentáveis através de técnicas específicas. A primeira fase vigorou entre os anos de 2010 e 2020 e as estratégias adotadas eram o plantio direto; recuperação de pastagens degradadas; tratamento de dejetos animais; sistemas de integração; florestas plantadas e bioinsumos.

A nova fase, chamada de ABC+ foi lançada recentemente e a meta é reduzir a emissão de 1,1 bilhão de toneladas de dióxido de C02 equivalente até 2030. Existem oito ações previstas para que a meta seja cumprida:

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1. Recuperar pastagens degradadas

Essa ação visa estabelecer práticas para recuperar 30 milhões de hectares de cobertura do solo, além do vigor das plantas forrageiras, que possuem a função de alimentar os animais. Esta ação tem o potencial de reduzir as emissões em 113,70 milhões de CO2eq.

2. Plantio direto

Outra ação prevista pelo ABC+ é o plantio direto. Trata-se de uma técnica de cultivo conservacionista. Nela o plantio é realizado sem a realização da aração e da gradagem. Uma das características mais marcantes é que o solo está sempre coberto por plantas em desenvolvimento e por resíduos vegetais. Isso acaba evitando a erosão e ainda permite alternar o plantio de mais de um alimento na mesma área.

A meta é expandir a área de plantio direto para 12,5 milhões de hectares, reduzindo as emissões em 12,99 milhões de C02eq.

3. Sistemas de integração

Os sistemas de integração incorporam atividades de produção agrícola, pecuária e florestal buscando uma unidade de produção que contempla uma adequação ambiental e a valorização do espaço. O Sistema Lavoura-pecuária-floresta permite que a criação de animais., plantio de alimentos e produção florestal aconteçam em um mesmo espaço reduzindo o desmatamento e promovendo o conforto animal.

Já os sistemas agroflorestais fazem com que culturas agrícolas e árvores frutíferas convivam em um mesmo ambiente, melhorando a qualidade do solo, da água e reduzindo a erosão.

A meta do governo é expandir esses sistemas para 10,10 milhões de hectares, reduzindo 72,01 milhões de CO2eq.

4. Florestas plantadas

Esta ação prevê a criação de áreas de reflorestamento para fins ambientais ou comerciais. Isso aumento a captura de água em maior profundidade e cria habitat para animais e vegetais. O objetivo é plantar 4 milhões de hectares e o potencial de redução chega a 510 milhões de CO2eq.

5. Sistemas irrigados

A ação tem o objetivo de dar estabilidade à oferta de alimentos, principalmente nos períodos de seca. Isso porque a irrigação aumenta a matéria orgânica do solo e eleva a produtividade.

A meta do governo é levar esses sistemas a 3 milhões de hectares, reduzindo assim a emissão em 50 milhões de CO2eq.

6. Bioinsumos

Os bioinsumos são produtos feitos a partir de organismos vivos, como bactérias e plantas. Eles melhoras a fertilidade do solo e podem até mesmo controlar pragas. É um adubo natural que reduz o uso de químicos. Com a ação a pretensão é atingir 14 milhões de hectares e reduzir as emissões em 22,4 milhões de CO2 eq.

7. Tratamento de dejetos animais

Através do tratamento das fezes e urina dos animais é possível transformar os desejos em fertilizantes ou energia. O governo pretende levar o tratamento de dejetos a 208, 4 milhões de metros³ e diminuir a emissão em 277,8 milhões de CO2eq.

8. Abates em terminação intensiva

Os abates em terminação intensiva são técnicas que reduzem o ciclo de vida do boi. Como exemplo podemos citar as dietas para acelerar o engorda, que reduz a emissão de metano. O projeto prevê levar essa técnica em 5 milhões de cabeças de gado e diminuir a emissão em 16.25 milhões de CO2eq.

(Com informações de G1, Embrapa e Mapa)